Série Verdades

Verdades sobre o Fiat Linea

Verdades sobre o Fiat Linea


"Bomba, para mexer nisso aqui é bomba..."
Braga Boys sobre manutenção do Linea 1.9

"Meus pêsam... digo, parabéns."
Seu amigo quando soube que você comprou um Linea

"Droga, perdi de novo!"
Dono de Linea T-JET após ser derrotado num racha contra um HB20 1.6

"Rubixa........ Passos longe"
Gustavo de Pallas sobre Fiat Linea (o Petruccio mineiro mata um Yorkshire ao ser citado)

"Este é um carro chique, super refinado, tem o melhor acabamento da categoria, dá prazer de dirigir... ui, gozei"
Bóris Feldman nos tempos de Vrum, que era patrocinado pela Fiat

"Pra quem gosta de merda, é um prato cheio!"
Pai do Fiuk sobre Fiat Linea

"Opa, tá chegando mais um..."
ADG da oficina High Torque sobre Linea com o motor fundido

"A Fiat insiste em posicionar essa mula-de-cigano num segmento acima..."
Kamikaze sobre Fiat Linea

"Linea é uma carroça perto do Jetta"
Correligionário do Miguel Pilotto sobre Fiat Linea

"Sinto muito, mas não posso dar mais do que R$ 25 mil na troca."
Vendedor durante avaliação de um Linea 2014

"Você não é tão bom assim, é um fracassado!"
Goku sobre Fiat Linea


Fiat Linea sobre frase acima (trilha sonora: Sonic Youth - Superstar)

Chernobyl é fichinha perto do potencial nuclear presente nesta foto






Fiat Linea é o atual fracasso-mor da montadora no Brasil, que conseguiu a proeza de ser mais malsucedido no segmento de sedans médios que Tempra e Marea juntos, lembrados eternamente como bombas sobre rodas. Claro, todo mundo percebe (só a Fiat não) que o Linea é um compacto crescido, com câmbio mecânico automatizado (num mercado onde todos os concorrentes utilizam transmissões automáticas...), largura de carro compacto e desvalorização de Citroën.


Apresentado na Turquia nos idos de 2006, o Linea felizmente não era mero enxerto de um terceiro volume à carroceria do Fiat Punto, como indicavam as primeiras projeções das revistas automotivas na época: a frente tinha grade e faróis de linhas mais retas, janelas laterais em forma de arco e traseira com lanternas amendoadas e placa no para-choque. Só não perceberam que a carroceria ficou desproporcionalmente longa em relação à sua largura... A Fiat optou por não comercializá-lo na Itália ou em outros países desenvolvidos da Europa, até porque sedan só faz sucesso lá se for médio-grande e luxuoso (da categoria de Audi A4, BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C para cima), pois não faz sentido por lá comprar um carro compacto e "bundudo": o último sedan compacto oferecido pela Fiat na Itália foi o Duna, variante do nosso Premio, um fracasso que saiu de linha em 1991.


Na Turquia, o Linea era uma opção mais confortável ao Albea, variante do Siena. O modelo também passou a ser vendido em países emergentes como África do Sul e Índia. Já no Brasil, a ideia era suceder diretamente o Marea, que perdeu as versões Turbo e 2.4 no início de 2007, e tinha a maioria das (poucas) vendas respondidas pela versão SX 1.6 16v (a menos explosiva). O Mocréia conseguiu a façanha de emplacar 478 unidades em todo o ano de 2007 e saiu de linea linha antes do "sucessor" chegar. Ironicamente, seu fim foi decretado pelas boas vendas do então recém-lançado Punto.


Após um longo período de pesquisas de mercado (iniciadas logo após o lançamento do Idea, em 2005) e testes (a partir de 2007), o Linea foi apresentado às vésperas do Salão de São Paulo em outubro de 2008, em três versões: 1.9 16v, Absolute e T-JET. Trazia como opcional um paradoxal GPS integrado ao quadro de instrumentos... sem mapa!! Mesmo quando era novidade, não chegou a chamar atenção nem em seu estande: o Fiat 500, àquela altura em fase de estudos para ser importado aqui, foi o destaque da marca naquele ano.

Pequenas modificações no Linea estragam todo o visual
No início, era previsto que toda concessionária teria no mínimo dois Linea de test-drive, espaço exclusivo com vendedores treinados para detalhar o carro, clube de fidelidade L'Único... e ainda assim as vendas de Civic e Corolla batiam recordes - o Honda, aliás, chegou a ser o quarto carro mais vendido do Brasil em outubro de 2008. Com as vendas fracas desde a estreia, no auge da crise econômica mundial (aquela que o Lula falou que seria só uma marolinha por aqui), a Fiat baixou a bola e lançou a versão LX já em 2009. Baixou a potência do motor, também: tinha 127 cavalos, ante 132 das outras versões... 

E ainda dizem que Linea não é bomba...
E apesar do projeto do motor 1.9 ter demandado tantos investimentos, em setembro de 2010 a Fiat já substituiria este propulsor pelo 1.8 16v E.torQ, utilizado na versão Sporting do Punto. Para quem pregava tanta confiança no lançamento, a mudança mecânica precoce não fez bem à imagem do sedan, que àquela altura até conseguia competir em vendas com o C4 Pallas, mas desandou principalmente após a onda dos compactos quase médios, composta por Chevrolet Cobalt, Nissan Versa e Tiida Sedan.


Entre 2011 e 2013 só ocorreram duas "mexidas" na linha do Linea. Decidiram interromper a produção da versão T-JET, que vendia muito pouco, e apresentaram no Salão de SP em 2012 a versão Sublime, que logo chegou às lojas, na cor Branco Encardido Kalahari, com as rodas do falecido modelo turbinado e padrão de acabamento que lembrava creme com o chocolate preferido das chatas mal-comidas das redes sociais (Nutella - porra, o que tem de mais nele???). Àquela altura, donos de 500 e Freemont desfrutavam das mordomias do Clube L'Único, que estava previsto para paparicar somente donos de Linea.


Apesar de ter passado por uma reestilização na Turquia em 2012, o Linea brasileiro demorou mais dois anos para ser alterado - e tudo saiu errado. O sedan perdeu a chance de morrer com dignidade e sofreu um face-lift de gosto duvidosíssimo (aliás, reestilizações medonhas se tornaram uma especialidade da Fiat nos últimos dez anos). A frente recebeu uma grade torta para dentro e um cromado curvo no para-choque dianteiro, as novas rodas ficaram hor-rí-veis (tanto que, meses depois do lançamento, decidiram trazer de volta as do T-JET), fizeram o velho truque da placa (passá-la do para-choque para a tampa do porta-malas) e o espaço vazio foi preenchido por plástico preto com qualidade digna de EcoSport (isso não foi um elogio). Conseguiu ficar mais feio que o novo Punto com frente de bagre. Era melhor ter saído de Linea linha logo.


A idade do Linea pesa quando se vê o que ele oferece: quando quase todos os concorrentes dispõem de modernas centrais multimídia, o Fiat contra-ataca com um sistema meia-boca batizado de Blue&Me Nav, de telinha azul e branca. Até o Uno, um carro pé-de-chinelo, oferece uma central decente (ok, é acessório de concessionária, mas tem). Itens como teto solar, destravamento automático das portas e ajuste elétrico do banco do motorista não existem nem em sonho. Controles eletrônicos de tração, estabilidade, assistente de partida em ladeira? Necas de pitibiribas.

No lugar de câmbio automático, o Fiat retruca com o automancatizado Dualogic, item opcional (que, lógico, você deve optar por não comprar). É simplesmente um dos piores câmbios do mercado, juntamente com o Easytranco da Chevrolet (que morreu junto com Meriva e Agile) e o I-Lixo da VW (disponível para o Up e as versões 1.6 das linhas Gol, Fox e Polo). Além do desconforto do tranco nas trocas de marcha, atrapalhando a condução muito mais do que ajudando, a confiabilidade é baixa, não é nada raro o Dualogic ser uma fonte de problemas.

Note que já eliminaram as rodas bregas com o nome do carro ao centro, voltando a serem as do falecido Sublime
Pelo menos o Linea básico manteve o preço igual ao de 2011, enquanto a conta do Absolute com todos os opcionais é salgadíssima: R$ 73 670... Mas, como vários outros modelos da Fiat, é melhor não comprar (a menos que você esteja com uma arma apontada para a cabeça, ou algo assim). Isso porque a concorrência avançou muito, e enquanto a Fiat não decide seu futuro, o Dodge Dart (parente de primeiro grau Fiat Viado Viaggio), deve ser literalmente montado em regime CKD no Brasil em 2015. Deve ser o ultimato na carreira do Linea, que convenhamos, já deu o que tinha que dar.

Versões


LX: sigla formada pelas consoantes da palavra lixo Versão de entrada, com legítimas calotas, oferecida entre 2009 e 2011. Trazia uma lista honesta de equipamentos para a época, com airbag duplo, freios ABS (ele foi lançado sem, mas os ganhou depois), ar-condicionado... e olha que nada disso era de série no Punto ELX. Como no Marea SX, lançado nos idos de 1998, a potência era reduzida, mas o antepassado tinha um buraco no painel ao invés do erbérgui do passageiro e manivelas para baixar os vidros... Enquanto esteve à venda, foi bastante vendido para taxistas. No fim de sua carreira, o LX foi oferecido por R$ 49 900, uma barganha. 

HLX: Curiosamente, esta versão não tinha nome até o lançamento do Linea LX, em maio de 2009. Tinha de série volante revestido em couro com comandos do rádio e regulagem de altura e profundidade, freios a disco nas quatro rodas, ABS, airbag duplo, rodas de liga leve de 15", banco traseiro bipartido e Rádio/CD/MP3 Player.

Creative: A bem de verdade não era versão, e sim um pacote de equipamentos para as versões LX e Absolute. Na versão básica, agregava o sistema Blue&Me e rodas de liga leve de 15 polegadas (lembre-se que ele trazia calotas de fábrica), enquanto na versão mais cara adicionava Blue&Me NAV e rodas aro 17''.


Essence: Substituiu as versões LX e HLX de uma vez, em 2010. Manteve o bom nível de equipamentos, porém usando o 1.8 no lugar do 1.9. Repare que a parte sem pintura do para-choque é digna de Palio Adventure. Alguns Institutos Federais brasileiros possuem unidades dele em suas frotas, ou seja, todo o dinheiro que você paga nos impostos em um mês pode estar sendo destinado ao orçamento da oficina de um único Linea. Atualmente é a versão padrão do Linea, já que tem um preço mais realista e vem com câmbio manual, deixando o terrível Dualogic na lista de opcionais.



Emotion: Pacote lançado em 2014, que agrega mais equipamentos ao Essence sem chegar ao preço absurdo do Absolute. Por fora, só se diferencia por suas rodas (que por sinal são mais feias que as do Essence; este por sua vez manteve os aros do antigo HLX). Por dentro, tem tecido frufru nos bancos, saída de ar-condicionado para quem vai atrás, sensor de estacionamento traseiro, bancos revestidos parcialmente em couro e apoio de braço para o motorista (itens de comodidade que contrastam com a falta de refinamento do câmbio automatizado).

Absolute Vodka: A única versão que acompanhou toda a "vida" do Linea: trata-se do topo-de-linha com motor aspirado. Conta com ar-condicionado automático digital, bancos com uma parte revestida em couro, sistema Blue&Me, cortina no vidro traseiro (ai ai ai ui ui!) e rodas de liga leve aro 16'', inclusive no estepe. O grande pecado desta versão não é nem o preço ridículo (atualmente R$ 67 380 sem opcionais), mas sim vir obrigatoriamente com o maldito câmbio automatizado Dualogic.
P.S.: Criticamos o preço do Linea completo, mas se formos pensar que uma Strada Cabine Dupla toda equipada custa R$ 74 671 (WTF!!!!!), nem parece um valor tão absurdo assim. 



T-JET: Apesar da ficha técnica de encher os olhos - motor turbinado com 152 cavalos e 21,1 kgfm de torque a 2250 rpm - o Linea esportivo nem de longe acompanhava o Maréia Turbo e seus 180 cavalos, nem mesmo o Punto T-JET, com 42 quilos a menos. No tempo de aceleração de 0 a 100 km/h, empatava com o Renault Mégane 2.0, que não é lá um modelo de temperamento esportivo. Por fora, só havia diferença nas (bonitas) rodas aro 17'' e no logotipo traseiro. Com vendas bem fracas, o modelo ficou em produção até junho de 2012, pouco antes do Punto T-JET ser reestilizado. O T-Jet era a única saída pra quem queria um Linea top com um câmbio decente, pois era vendido somente com transmissão manual.

Sublime: Apresentado no Salão do Automóvel de SP em 2012 e já retirada do catálogo, era baseada na versão Essence, porém trazendo um padrão de acabamento que ajudou a nortear os rumos desta reestilização (repare que quase todo Linea dos novos é pintado na cor Branco Kalahari, antes exclusiva desta série).


Monte Bianco: Este carro-conceito trazia feios kits aerodinâmicos fornecidos pela TG Póbri, rodas brancas (que ficariam pretas de sujeira em dois dias de uso cotidiano), teto solar colocado na marra, além de faróis e lanternas pretos. Seu lançamento era dado como certo para o primeiro semestre de 2009. Ainda bem que não foi lançado...

Motores


1.9 16v: Na verdade, esse motor é 1.8, pois sua cilindrada é de 1.835 cm³, mas para se diferenciar os 35 cm³ extras foram arredondados pra cima. Produzido na Argentina, era vibrante (no mau sentido) e ruidoso, tendo desempenho apenas mediano para um sedan de seu porte, e que piorava consideravelmente com o câmbio automancatizado Dualogic. E tinha mais: era tão beberrão quanto o Stilo, que tinha motor 1.8 Powertreco by Chevrolata, e só um pouco menos gastão que o Vectra 2.0 (!). Haja canavial para abastecer essa moenda defasada.



1.8 16v e.TorQ: Manteve os 132 cv do "1.9", mas o torque máximo (18,9 kgfm) surgia a distantes 4500 rpm, por conta das quatro válvulas por cilindro, que privilegiam o torque nas estradas. Ainda assim, bem melhor que o 1.9, mas continuava tornando os donos amigos dos frentistas do posto de gasolina. Apesar de ter estreado em 2010, não é exatamente um motor moderno e seu rendimento está bem abaixo dos 1.8 16v de outras marcas, como Honda (i-VTEC do Civic LXS), Toyota (VVT-i do Corolla GLi) e Chevrolet (Ecotec do Cruze e Tracker). 



1.4 16v: Um dos primeiros exemplares nacionais da filosofia Downsizing - fazer um motor pequeno render como um maior - este era movido só a gasolina, e conseguia ser o mais econômico da linha. Mas abaixo de 2500 rotações por minuto, era tão chocho quanto o 1.4 de 88 cavalos do Uno Sporting, estágio em que o turbo não "enchia". Uma vergonha, perto do Marea turbinado.

Donos

Apenas um dia normal na vida de um Fiat Linea
Se tem uma coisa que dono de Linea definitivamente não se importa, é sobre a situação mercadológica do modelo. Imagine a satisfação de quem pagou R$ 80 mil na versão completa e três anos depois revendeu por R$ 25 mil... Esperançosos que seria um modelo de nível de um Alfa Romeo, muitos donos começaram a notar defeitos dignos de Palio, como barulhos na lataria e problemas no (sempre ele) câmbio Trancologic, um lixo mesmo perto do câmbio de quatro marchas do Corolla, utilizado desde a Segunda Guerra Mundial. Quem em sã consciência gostaria de ter um carro que dá solavancos em uma simples manobra de estacionamento?


Não existem tantos fãs de Linea quanto de Marea, ou talvez eles estejam ocupados demais nas oficinas. A verdade é que um Cinquecento consegue ser mais premium que o Linea (vai chorar?). Em mais uns três ou quatro anos veremos Lineas assumindo o papel de Tempras, levando escadas no teto e tomando surras dos peões cupins de aço. Sem falar de seu comparecimento às mecânicas e ferros-velhos mais boca-de-porco possíveis, já que nem quando é zero-quilômetro existem peças em estoque para o carro.

  • 453% juravam que o Linea era um modelo à altura de Civic e Corolla e se decepcionaram ao perceber que era um Puntão, ou um Siena maior e mais bonitinho
  • 402% reclamam da bebedeira do motor 1.9 16v, pior do que de Monza a álcool
  • 377% acham o design lindo, sem reparar na desproporcionalidade do comprimento de carro médio com largura de carro popular
  • 321% se arrependeram amargamente de terem comprado com câmbio Dualtranco
  • 294% não possuem qualquer conhecimento de carros (afinal, eram donos de outros modelos da Fiat) e se encantaram ao primeiro convite da concessionária
  • 235% já dormiram ao volante
  • 122% não sabem usar os comandos de voz do Blue&Me
  • 88% já ralaram as rodas e os para-choques (e isso porque o carro traz sensores de estacionamento)
  • 54% participam dos eventos do Clube L'Único, como show do Latino, exposição de selfies no MASP, palestra ofensiva com Oscar Schmidt e, mais recentemente, inauguração de um bebedouro na cidade de São Paulo
  • 36% são taxistas que amargam prejuízos com o carro que adora visitar a oficina, impedindo-os de trabalhar
  • 9%, após quatro anos, deram o Linea de entrada na compra de um Palio Fire
  • 7% tinham dinheiro para comprar um Corolla zero-quilômetro, mas resolveram comprar um Linea, se arrependeram, venderam o Fiat e com o dinheiro compraram um Corolla... ano 2002
  • 5% estão se descredenciando do Clube L'Único no momento em que você lê este post
Verdades

A reestilização turca, tão desastrosa quanto a brasileira
Ironicamente, mesmo sendo maior que o Grand Siena, o Linea tem porta-malas menor (520 x 500 litros). Tudo bem que o Grand tem cara de carro de taxista (se for branco e na versão Attractive ou Tetrafuel, então...), mas ele não deve quase nada ao sedan do Punto, pelo contrário. Exemplo: teto solar elétrico e iluminação do porta-luvas, só o "Sienão" tem. Com a diferença que você compra o Grand Siena por R$ 45 990 e vende um mês depois por R$ 43 000; optando pelo Linea, você paga R$ 67 380 e passando um mês revende por R$ 25 000.

ISTO NON ECSISTE! (Foto de Ahmed Islam)
Saia de casa e conte quantos Lineas você viu:

Nenhum: Parabéns, você teve um dia normal
Um: Seu dia vai ter uma maré de mesmice e fracasso
Um T-JET: Mesmos sintomas acima, porém vai passar mais rápido
Um Sublime: Seu dia vai ter uma maré de frescura, watch out
Dois: Uruca de nível Rubinho Barrichello, afaste-se imediatamente
Três ou mais: Tá de brinqueitchon, cara. Você mora em Betim? Ou está dentro do estoque de carros da Fiat?


O Linea foi o primeiro modelo fabricado no Brasil a ter um GPS integrado, mas diferentemente de modelos que já estreavam mapas coloridos, no Fiat eram exibidos nomes de ruas e setas indicando a direção na monocromática tela vermelha, e ainda tinha que ter um pen drive com estas informações gravadas, sendo que em apenas 40 das 111 cidades mapeadas haviam as informações completas. O sistema é assim até hoje, enquanto seus rivais e até carros que custam metade de seu preço oferecem modernos sistemas (alguns de tela sensível ao toque) com pontos de interesse (como postos de combustíveis, restaurantes e outros locais no mapa), sem falar no DVD Player, televisão e outros recursos.


Até a miniatura do Linea era difícil de desovar: embalavam junto com uma revistinha infantil e saía por módicos R$ 20 (dependendo do local a ser enviado, o frete custava quase a mesma coisa). Isso quando não as distribuíam no Salão do Automóvel de São Paulo... Produzida pela Norev, a miniatura da versão Absolute, em escala 1:43 tem bom nível de detalhes, embora sem tanto esmero na montagem (pinturas mal feitas dos frisos e rodas deformadas). Paradoxalmente, esta miniatura pertence ao editor que detona este carro!

Nem um terço das ideias e cores foram aproveitadas no Linea de produção
A Fiat mente pra caralho nos números de desempenho do Linea. Imagine um modelo 1.8 Dualogic conseguir acelerar de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos! Na prática, só o T-JET chegava perto desta marca. 

O Linea devia ter detector de fadiga, porque dirigí-lo dá uma sonolência do cacete.


Sofrendo de insônia, amigo? Olhe fixamente para a foto acima por 15 segundos. Não precisa agradeczzzzzzzzzzzzzz...

A última propaganda do Linea tratava de tapinhas (pelas boas coisas feitas) e tapões (pelas coisas ruins). Os publicitários que produziram esta merda mereciam uma sessão de tapas no pé do ouvido, para largarem de ser lesados da cabeça.


O Linea nunca venceu nem em comparativo de revista interna da Fiat. Quando foi lançado, em 2008, o Focus Sedan dominou as primeiras posições do pódio, mesmo inicialmente contando com motor só a gasolina. Em 2010, quando ganhou motor 1.8, já estava fadado à disputa com Honda City e New Fiesta Sedan, que inauguraram a categoria "compactos com preço de médio". Recentemente, chegou a ser comparado com o Chevrolet Sonic Sedan, que meses depois morreu de desgosto com tanta convocação para recall.

A plataforma do Linea é baseada na do Punto, que no Brasil foi adaptada para ser a mesma do Idea, que por sua vez utiliza a base da Palio Weekend, originada no Palio 1996 (a afamada 178), contendo os mesmos elementos estruturais do querido e velho Fiat 147. Você pode conferir a versão ilustrada dessa "árvore genealógica" em um dos primeiros e mais clássicos posts do antigo BA:
http://bizarricesautomotivas.blogspot.com.br/2008/10/verdade-sobre-plataforma-dos-carros-da.html

Além disso, o conjunto de botões do computador de bordo MyCar (abaixo da saída de ar do motorista) é o mesmíssimo encontrado no Fiat Uno.

Nas versões mais baratas até esse ano, a tela do quadro de instrumentos era igual à do Palio ELX de 2004.



O Linea estava pronto desde o fim de 2007, e chegou a participar do set de gravações do filme "Ensaio sobre a Cegueira", uma alusão à condição de quem compra o modelo.

O mito Michael Schumacher já protagonizou um comercial do Linea T-JET, onde pisava fundo no acelerador e seus seguranças o tentavam acompanhar em... Chevrolet's Grand Blazer pretas. Não vale! Detalhe: num close do quadro de instrumentos os ponteiros subiam - mas as luzes de freio de mão, airbag e sistema ABS estavam acesas.


Diziam que o Linea teria uma versão Station Wagon logo após o lançamento, o que não se concretizou: certamente venderia menos que a Marea Weekend... ou talvez mais que o Croma, que apareceu no Salão de SP em 2006, e que se fosse comercializado aqui, custaria R$ 130 000 em valores de época, preço de Volvo V40.

O Linea passou umas dez vezes na fila para receber cromados. Além da grade, há frisos espelhados acima dos faróis de neblina, na parte inferior das portas, nas maçanetas, no para-choque traseiro e na tampa do porta-malas, sem falar nos detalhes internos. Recurso típico de carro emergente para se autoproclamar premium. Ou vai me dizer que um BMW Série 3 é tão cromatinado assim?


Em vez de participar com Chevrolet Astra (depois Cruze), Ford Focus, Toyota Corolla e Honda Civic do Campeonato Brasileiro de Marcas, a Fiat resolveu investir em 2010 numa categoria só de Lineas, a Trofeo Linea (depois, Copa Fiat). O motor era basicamente o mesmo do T-JET, mas com 260 cavalos e alívio de peso no interior. Durou até 2012, e o Cacá Bueno venceu todas as temporadas disputadas.

O recém-lançado Fiat 500 Abarth é mais potente que o Linea T-JET.

Aí já é o demônio!
O Linea T-JET, com seu motor turbinado e 152 cavalos, perdia no tempo de aceleração de 0 a 100 km/h para um simples Nissan March 1.6.

Antes do lançamento, a meta da Fiat era dominar 13% do segmento com o Linea, mas se alcançou 0,2% já esteve de bom tamanho.


A própria Fiat se zoa. Nos anúncios para internet, está lá: "Fiat Linea 2015 - Meu amigo, isso não é um Carro‎".

A carroceria do Linea, que no lançamento tanto foi ressaltada como um sinal de (suposto) prestígio, passou a ser usada como mula pela Fiat, para o desenvolvimento de sua picape média que será baseada no monstrengo FCC4 Concept.

Mais fracassado do que o Linea, só o Fiat Brava, mas isso fica para outro Verdades (ou não).